sexta-feira, 9 de março de 2012
Pequenas estrelas
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Correm depressa os ponteiros...
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Hábitos de um espírito geológico
terça-feira, 13 de setembro de 2011
O bebê e as línguas
Indiferenciado e impessoal, o bebê teria mais a dizer à nós do que suportamos, adultos que somos, especializados que somos, sofremos de nossa própria designação.
Já dizia um fílosofo querido: o bebê é pura potência, está continuamente experimentado a si e ao mundo, ele está muito além deste núcleo duro da subjetividade ao qual nos encontramos encurralados - o eu.
É uma centelha, uma vibração, isto é, uma vida, diria este que é Deleuze.Atravessando aquilo que é mais empírico, mais orgânico, mais pessoal, eis uma vida, uma força que embaralha nossos códigos já enrijecidos.
E ao mesmo tempo, como o é frágil aos nossos olhos bem sabidos toda esta suspensão de juízo que o bebê efetua e que lhe permite um nível de experimentação ao qual nossos hábitos nos demandam a fuga.
O bebê fala por todos os cantos, e nem a fralda, nem a chupeta ou o seio o calam, ele não faz o jogo da falta e da necessidade, ele é uma bomba de desejos.
Explosão intensiva, empiricamente invisível. Nós em nosso voluntário endurecimento, já não o vemos e confundimos esta fragilidade, esta suspensão, esta potência que o bebê carrega com uma fraqueza, e justamente este caldeirão desejante que arrebenta todos os paralelepípedos em que encontramos esta uma vida.
Fizemos do ato uma necessidade, e desde então aquilo que chamamos de liberdade não passa de uma palavra, pois toda nossa potência foi convertida no ato, e sofremos desta determinação da potência, desta determinação que nos designa um eu, uma pessoalidade, uma especialização - afinal, isto que nos insere no mundo adulto e nos fecha a possibilidade de mundos outros.
E o bebê, impessoal e indiferenciado, é esta presença que arrebenta as paredes do mundo adulto, é uma língua, que para além das gramáticas, faz das sensações um mundo outro possível.
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Roubaram-lhe os cabelos
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Na fenda a vida crescia
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
O papeleiro
terça-feira, 12 de julho de 2011
Tempo morto
quinta-feira, 7 de julho de 2011
Partidas
segunda-feira, 30 de maio de 2011
Prenúncio de uma escutação
Como furar o ovo que se comprime à nós, caro Abreu? Aquele muro branco, que quando dito, somos perseguidos pela multidão. Aquele muro que é o ovo de cada um, aquela parede que insistimos manter, e assim há eu, e você. Você, e eu. Será que nos resta apenas uma opção, aguardar, enclausurados, nosso sufoco? Onde estão as vias do possível? Um pouco de possível, senão sufocamos, não é Deleuze? Em meio a tantas políticas públicas, falta-nos aquela que combata esta cronopolítica, onde o tempo e a disponibilidade são exceções em meio a um mar revoltoso de vertigens, entre congelamentos e acelerações, como diria o amigo Pelbart. Em meio a isso, que espaços de comunicação, diferentemente dos de informação, temos em vias concretas? Que momentos, que passagens abrem espaços para uma escuta de silêncios, espaços onde a escuta não é confissão. Escutar como uma espécie de arte, daquelas em que nos percebemos frágeis elos entre forças poderosíssimas. Será que bastaria colocar à espreita nossos ouvidos nessa parede, auscultar o outro de fora de nossa casca? Estar perto o suficiente, afetar-se, não seria esta uma possibilidade para que este branco asséptico se contamine? E na contaminação mútua, esboçar um mundo comum? Mundo em que coincidamos com os desejos e o gosto de viver, de alargar horizontes, ao invés de afunilá-los? Medeiros, Medeiros, será que poderíamos fazer pequenos traços rumo a uma cidadania outra, movida não pelos contratos, mas por delicados códigos do coração de cada um? É preciso sensibilidade, Pessoa, para interromper um estado, parar de dispersarmos nossas vidas em elipses absurdas. Eis que é preciso fazer recordar, recordar a escuta, lembrando da origem latina de recordar - re-cordis - que significa fazer passar pelo coração. Escutar pelo coração.
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Aberto à porta
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Segurança
sábado, 16 de abril de 2011
De pé arredio
domingo, 27 de março de 2011
Meu nome é captura
cede a mim a tentação de em dias de luto
vão esperar, lacuna que se presentifica
pesados para pensar, pesados para falar
que dirás de gozar?
homens cujo corpo reside adormecido
sem ousar o próprio gesto
pois a face que anuncia
é o caixão que denuncia
e num passo titubeante, renuncia
encarcerados por seus próprios esquemas
dos desejos que restaram, um vergonhosamente sutil
gregários, vergonhosamente expõem à 4 paredes
o compromisso se faz no silêncio
mas homens de compromissos são meros subordinados
pactos, homens de pactos, corruptos à sua natureza
são os capazes de tamanha ação, e tremenda comiseração
pacto com o abismo, filiação à nada
se renuncias a mim, captado pelo belo e pela moral
as penúrias deste transcendente há de corroer a pele
e findar os ossos ao controle, mesuras à teu tirano
vos ofereço os gritos daqueles que aventuram pelo caos
e a coragem daqueles que firmam a vida nos descompassos
nos maremotos, nos terremotos, nos vulcões e furacões
mas não me acompanha homem captado, tu funcionas assim
derradeiro e sedento por ordens
a ditadura vinga em vossas almas
terça-feira, 15 de março de 2011
Ultimato
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Tua pele expirou
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Existe crime maior?
disse tin-tin por tin-tin, não me ouviste
agora indignado, se insurge
em meio a lingeries e suspeitas brumas
diz-me ser um assassino, um assassino de si mesmo
sem saber ao certo o como
estranho como,
como alguém se mata sem cometer um suicídio?
E mesmo assim, se insurge
Cansou, esgotou, odiou! Há algo que lhe resta?
disse a tantas por entre tantos, não me escutaste
agora braveja
em meio a fantasias, braveja
e este como lhe atravessa
por isso odeia tanto essa ofensa maior
avaro deste crime incontido
estranho à sua própria morte
como um homem comum
sábado, 12 de fevereiro de 2011
Encontros literários - VI
disse o menino ao então desconhecido
