segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Poemas interativos =D

Colour my world
http://www.newgrounds.com/portal/view/515024

Freedom - Person lost
http://www.newgrounds.com/portal/view/470206

Colour my heart
http://www.newgrounds.com/portal/view/483057

Little wheel
http://www.newgrounds.com/portal/view/498994

nada como poemas interativos para animar o dia =D

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Um estalo antes de dormir

mão com pé, peito com punho, eis a batida
o corpo é instrumento
o corpo canta
inauditas as palavras
mas profundos os afetos
quem dera olhar o chão vê-lo em blocos
mas o corpo insiste, paralisa tudo para ver a dança
ladrilho que vira retângulo, que vira triângulo, que vira moça
parede suja que vira história encantada e baile de debutante
não é invisível, lá está
mas só canções que invadem os olhos vêem
o corpo adquire musicalidade, exala musicalidade
capta musicalidade do mundo
capta dor do mundo
e assusta-se
o corpo frenético que dançar
enrijece o menor dos músculos, comprime ao limite o mais frágil dos ossos
e na cabeça
choque atrás de choque
um estalo aqui, outro acolá
ouve
você ouve
e só pode deixar ouvir
uma brincadeira de imagens sucede, sem controle
não faz parte do comum, mas de um seleto comum
você toca e ouve, sente a batida do corpo, do outro corpo
e numa sinfonia triste teus músicos se afinam a dor
aos calores e às friezas
que despontam sem sentido
enquanto as margens de um caderno se fundem
faz batalha de dragão e mago
merge tudo
vira flor
desabrocha
vira dama
levanta a saia
te perguntam o que está acontecendo.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Crachá por favor.

Nada como ir à faculdade discutir sobre o modelo empresarial que absorve tudo: escola, saúde e trabalho.
Agora, se o que fazem é crítica ou apologia dessa lógica, ninguém sabe.
Ao menos eu não sei.
Falam tão mal dessa empresa, mas ao mesmo tempo a gente a reproduz em tudo.
Inclusive em colocar a camisa da uma faculdadezinha de saúde às avessas.
Saúde, apenas para os outros.
A gente se vira no tempo que não nos resta.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

sábado, 26 de setembro de 2009

Nem lá nem cá

O primeiro grito

Autoriza!

Segue-se o segundo

Libera!

E um sugestivo terceiro...
Desaba


Três gritos que ecoam na mente de um homem,
variadas são as intensidades
e seus modos de afetação

O primeiro ato é estridente, gago
é algo que começa a tomar forma
dobrar-se e enclausurar-se

Primeiros marcos de sua formação
movimentação trôpega
a passos de hipopótamo
é a brutidão contra o corpo

Após tantas traves colocadas
o homem solta seu segundo grito
já não aguenta viver docilizado

Reage rumo animalidade
mas apenas racionalmente animal
o homem diz não ao não

Indícios de uma resistência
armada até os dentes
quebrando suas origens
em troca da liberação

Faz-se um vazio
o corpo esteve contra ele mesmo
e o incômodo surge

Entre o nada de conduta
e a disciplina do rebanho
resta um corpo em conflito

Sugestivo terceiro grito
não lá da platéia que se houve
pois não é de palavras que ele é feito
é corpo do artista que age

Em sua exaustão
o corpo desaba
e percebe o chão

Rasteja pela horizontalidade
e percebe-se num novo paradigma
não quer mais os céus ou o inferno

Outras direções surgem,
outras possibilidades,
além da disciplina e da liberação
na criação inerente do desaba.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Artivismo político

Uma voz na multidão, silencioso grito de uma carne endurecida, batida e amaciada. Escalandosamente cai o portador da voz, contorce-se no chão, e a multidão se aparta do gado repartido.
O rebanho auspiciosamente observa aquele estranho em ninho, ovelha desgarrada, machucada. Abre-se lentamente o círculo da exclusão-inclusão, o circo se apodera do espírito da multidão.

Sob os holofotes do picadeiro o acidentado sobre o asfalto batido que sufoca a terra e os pequenos grãos quer se chamem gramíneas quer se chamem crianças quando crescem é pela marginalidade e ressequidas pela aspereza e sujas pelos constantes atropelamentos desses carros chamados educação e política sem nos referir a beleza assassina dos bons costumes e da tradição que a cada dia ceifa prematuramente qualquer vigor ou lampejo de vitalidade que se faça dentro dos tribunais públicos da vida cotidiana onde se encontra o pilar da sociedade e seu porteiro das pequenas maldades enquanto não chega o vizinho para denunciar sob a porta do 601 que aquele grito que pertubou o asseptizante sono de beleza plástica da alquimista ao contrário era a criatura abominável que vive e cresce às várzeas das ruas da cidade destronada onde a lei se faz cinza e a pastelização é o imperativo categórico moral do bom cidadão que atrela-se aos graciosos bons costumes das marias que não são flores e nem graça possuem mas que vivem como vampiras seguindo as ordens da velha moradora atormentada pela visão cósmica de deuses faz a todos temerem suposto fim de mundo sem saber que tal fim pode ser a recuperação de uma vida que já não se faz mais pela pele ou suas entranhas recheada de medos e supertições tentaculares que sufocam residente a residente extorquindo todo hálito possível que haja num coração que ainda insista em pulsar e a resistência esvanece pois não há homem ou mulher que queira fugir das peles de lobo e suas lareiras intoxicantes cerceando a cama de fuligem em seu pequeno quarto sem janelas ou amor pois mais fácil é descer pelo elevador cego para o além de narciso e entrar em seu carro para amaciar ainda mais o asfalto e atropelar os vermes que ainda insistem em se mexer mas que nunca saem do condomínio até que esses vermes entranham e o inexperiente médico do 104 incapaz mas repleto de glórias e honrarias prescreve remédios que matam esses invasores a custa de um câncer que percorre lentamente e se pulveriza pelas tubulações de cromo enferrujado do esqueleto de vidraçaria estilhaçando com o peso de tantos moradores e ratos adjunto simbióticos a cada indivíduo de bafo de ressaca pela vitória de ter matado as crianças do mundo e substituído por galões de álcool enquanto dormiam sob seus leitos crendo protegidas na casa de seu mais furioso algoz na panoptia familiar restrita a danones desenhos e conexões com os metafísicos mundos cibernéticos do qual enfeitiçadas adultilizam-se à idade de de três a quatro anos porém mais jovens ficando velharacas de museu.

Levantou-se ovelha desgarrada sem respirar, deu com os ombros pra multidão, e partiu enquanto àqueles que restavam nada mais diziam além de:
A culpa é da poluição

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Manifesto da linguagem

Chega!

Basta!

Já não se aguenta mais!

É pau, é pedra, é fim de caminho, diria a música

E eu digo: é hora de pegar paus e pedras
Já é hora de deixar de ser ingênuo
Já é hora de revoltar-se com a casa
e hora de explorar novamente a mata

Se há uma pedra no caminho
Se há uma estátua no caminho
Se há uma catedral no caminho
Quem disse que acaba aí o caminho?

Basta!

Basta de sossego!

As palavras estão muito duras, os poetas: mortos

Enquanto isso os tablóides de jornal reduzem o mundo a 26 letras

Troca-se vida por informação
Monta-se o palco, encena-se o massacre e o assassinato

E a platéia, indignada com a situação
Explode-se em catarse de lágrimas
Não resiste a se amortecer com o espetáculo

Olhares vidrados, extinguidos de vida
Ouve-se um grito, um grito entranhal

É a puta que solta seu último suspiro diante do cafetão
É o pai ajoelhado diante da arma que sua filha carrega
É o menino do tráfico acovardado pela polícia-guerrilha
Por um momento, a platéia se choca

Mas apenas um momento,
Pois vira-se a página
E seus olhos secos se direcionam aos cadernos de cultura

Olhos se cruzam com linhas
letras, palavras e frases
mas do mesmo jeito vertiginoso que passa olhar
não se deixa tocar pelo que é escrito

A linguagem corre sério risco
ela já não nos afeta mais

nossa cabeças estão obesas demais para ler
nossos corpos - raquíticos demais para sentir

as catarses que nos assaltam, nos atropelam
mais são deveres culturais do que um corpo que chora
não é um corpo em devir, mas um sentimento em estamento
diante de nosso imaginário, de nossas fantasias sociais
utopias e distopias de um novo mundo

Basta!
É hora de pegar os paus e pedras!
Pegar essa pedra, essa estátua, essa catedral no meio do caminho
e estilhaçar sem nenhum remorso
Quem sabe assim, movendo os músculos, nossos corpos não sintam mais?
Que cada palavra seja obliterada
que denuncie as mazelas daquilo que chamamos
BEM, AMOR, CIÚME, MAL, ÓDIO, VIDA, DEUS
Chega de abstrações!
CHEGA!

Cansei, dessas palavras que a gente usa inconsistentemente
Cansei dessa nossa mania de perverter as palavras
de torná-las nossos deuses e deusas
Cansei das letras que se aglutinam e se dizem de vanguarda
cheias de significados e sentidos, permeadas de metalinguagem

Se a vida não se justifica, porque a linguagem o tem que fazer?
Repugnável poder que o homem dá a palavra da metalinguagem
em troca da submissão da vida à sua ordem gramatical

A linguagem deve desertar-se de seu significado
para viver ela deve rejeitar toda pretensão a uma ordem
tornar-se uma estrangeira em seu ninho

Sair das amarras da abstração
Afirmar sua comunicatibilidade com a vida